quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"Naderônios"


Durante as últimas semanas fiz um teste maluco através das fotos exibidas no MSN.Todas as vezes que punha uma imagem insinuante, sensual ou até mesmo provocativa o número de homens a iniciar um assunto dobrava. E eram os mais variados possíveis, porém sempre com a mesma essência falando de forma eufêmica: "Que bunda gostosa!".
Por outro lado, se a foto fosse comum apenas os amigos mais íntimos de todos os dias me chamavam para jogar conversa fora. Inconscientemente ou não, a ala masculina acredita que nós mulheres pensamos com a bunda, pois é só colocar a dita cuja na exibição e um monte deles surge pedindo atenção, comentando sobre coisas corriqueiras até chegar sabe-se lá aonde.
Obviamente, a ironia não faz jus a realidade, embora tenha uma parcela de coerência. Depois do sucesso estrondoso do "Velho Guerreiro" e suas ajudantes de palco envoltas em micro maiôs e paetês, a bundalização virou moda em todo lugar e a escala de "artista bundões" só aumentou ... e muito. Dançarinas de axé, funk, Mulher Melancia, Jaca, Morango, Pêra e o hortifruti completo apareceram.
O cérebro saiu de sua caixa óssea popularmente conhecida como crânio e espalhou-se pelos seios, nádegas entre outros lugares indiscretos. Não estou assumindo uma posição contra as mulheres que aceitam posar para revistas masculinas. Existem capas de publicações do gênero como Flávia Alessandra, Juliana Paes e Bárbara Borges consideradas excelentes atrizes e seus respectivos "talentos" estão direcionados para a dramaturgia. Ou seja, o fato exposto no texto é não colocar o corpo a frente das reais habilidades. A mulher pode - e deve - mostrar seu lado sensual e explorar sua sexualidade, o incorreto é fazer disso o pilar da sua existência.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Amém, um texto novo

Se até a Megan Fox pode, por que eu não?

Sinceramente não sei se acontece com todo ser humano pensante (porque alguns simplesmente não o fazem), mas algumas vezes a vontade de alterar a história da minha vida é mais forte do que eu.
Talvez me mudar para uma cidade mexicana, usar um poncho colorido e comer tacos ou quem sabe ir para um convento de irmãs Beneditinas.
A segunda opção seria mais simples se eu ainda acreditasse na fidelidade dos votos religiosos ou até mesmo na própria religião. Tantas coisas duvidosas acontecendo nessas instituições que os fiéis nem sabem para onde se guiar. Pastores corruptos, padres pedófilos, falsos médiuns e uma infinidade de podridões jogadas para debaixo do tapete (persa).
Criticar essas atitudes não significa que eu seja cética ou descrente de qualquer força superior, pois a fé não está diretamente atrelada à nenhuma crença específica. Minha mãe católica praticante e alienada, não aceita meu ponto de vista e atribui meus problemas a "falta de fé". E quem disse que eu não a possuo? Estar em comunhão com Deus é poder abrir os olhos todos os dias enxergando tudo ou não vendo nada em ambos os sentidos. Cada um escolhe os caminhos da própria vida, é uma decisão pessoal e instransferível.
Crer, não crer, crer em termos ou nem ter opinião a respeito. Influências externas só servem para confundir. As datas comemorativas da igreja pregam o arrependimento e iniciação em uma nova fase de "tentações" oferecidas.
Confio no arrependimento pleno de toda essa gente ou ao menos espero por isso, incluindo padres, pastores ou médiuns. Não sou espírita, mas estou psicografando esse texto.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Delírios de consumo de (escolha o nome)


Parece ironia, mas a protagonista do filme "Confessions of a shopaholic", Rebecca Bloomwood além de jornalista - isso mesmo, jornalista! - é uma compradora compulsiva, do tipo que se sente loucamente atraída por uma vitrine, que ao enxergar um vestido, bolsa ou sapato dispostos no manequim, sente um calafrio e a necessidade de possuí-los. Ouve sussurros intermitentes ao pé do ouvido balbuciando coisas como Gucci, Louboutin, Hermès, Balenciaga, Prada, Dior, Yves Saint-Lauren, Cartier, Marc Jacobs, Tiffany, Jean Paul Gaultier entre outros, ficando quase louca e revirando-se na cama de um lado para o outro. Alguma semelhança? Pequena eu diria.
Ninguém em seu perfeito estado de sanidade, sairia por aí gastando descontroladamente à la Becky, porém o imenso desejo de comprar, comprar e comprar é bem igual. Ah, aquela bolsa clássica da Chanel! O que eu não faria por ela? E os modelos da Louis Vuitton? Uma loucura! Você se prende num emaranhado, o qual não consegue mais sair, estabelece uma relação dependente e às vezes doentia com seu cartão de crédito. Claro, pois qual homem te entenderia tão bem quanto aquele casaco Herchcovitch de toque macio, textura ímpar e cor opaca tradicional do inverno? Nenhum. E ele te cai tão perfeitamente, feito sob medida para o seu "delírio".
Adquirir uma peça de grife te torna mais poderosa, segura e inatingível, ao menos por alguns minutos, não é? Eu sei bem disso, tenho uma Becky Bloom morando bem aqui dentro, gritando alto para sair as compras. Ainda não encontrei a minha echarpe verde, nem o editor bonitão capaz de me livrar do vício, embora a inspiração do texto tenha vindo com o filme. Passei os quatro anos do meu curso de jornalismo - acredite se quiser - ouvindo elogios sobre meu estilo e senso de moda; assistir a essa comédia me fez ver o paralelismo entre ficção e realidade.
É cada vez mais comum encontrar meninas e mulheres tentando ser "It girls", ditando modismos e tendências, imprimindo sua personalidade através das roupas. Moda é isso, muito além de vestir-se, é mostrar quem você é e para que veio. Detalhes - leia-se acessórios e afins - são primordiais, os responsáveis pelo efeito único de um look, uma marca registrada. Ora podem te tornar uma Jeanne Lanvin, ora podem te transformar em Lady Gaga, depende do seu feeling.
Nem sempre fui ligada nisso, apenas me preocupava em combinar cores e não ficar over, foi então que eu aprendi a brincar com a moda, fazer acontecer do meu jeito e não ser apenas mais um pontinho básico na multidão. Becky Bloom é de fato uma surtada fora dos limites, mas ainda assim consegue ser uma louca hype e cheia de estilo, afinal, saber diferenciar cashmere de poliéster não é pra qualquer um.

domingo, 23 de maio de 2010

Efeito colateral


Esta manhã eu me dei conta de que acordei do meu melhor sonho, talvez tenha sido um pesadelo e eu não percebi. Descobri como o som da sua risada era irritante e me deixava feliz, como encontrar a sua mão entrelaçada a minha, fazia meu coração disparar e me sentir viva. Ainda mais. Mas eu acordei. Sem um sorriso, apenas resignada. As suas loucas canções só tinham sentido quando eram ouvidas por mim, as suas promessas soaram reais, embora não fossem, o seu abraço ficou distante e calado, assim como a composição nunca feita. Tudo aconteceu como um flash; rápido, intenso e delirante, uma espécie de anfetamina dominadora do meu sistema nervoso central. E terminou exatamente do mesmo jeito. Algumas drogas realmente se tornam um vício, você é uma delas, cheia de efeitos colaterais. Realmente uma pena eu ter me internado na reabilitação.



sábado, 15 de maio de 2010

Nova York é na Bahia


Começa aqui a saga de uma heroína nada convencional como as "Helenas" de Maneco, tampouco sofredora no estilo dramalhão mexicano. Estou falando de Cleidemara, baiana "arretada" que veio tentar a vida em São Paulo na função de diarista. Ao longo dos 26 anos, não tinha muita história pra contar até conhecer seu namorado: Uélson. Sim, a grafia e pronuncia estão corretas. No príncipio iria ser Wilson, mas o problema foi o erro da atendente do cartório ao confundir-se com o sotaque alagoano de painho e registrar o menino exatamente com o nome que ouvira.
Cleidemara o conheceu em uma comunidade do Orkut chamada "Eu Amo/Sou Motoboy" e, depois do primeiro encontro teve a certeza: ele era o amor da sua vida. Telespectadora assídua do SBT, começou a acompanhar a primeira temporada de Gossip Girl. Uma tragédia na vida de Uélson. Com os figurinos deslumbrantes das personagens e os acompanhantes masculinos pra lá de sedutores, a moça ficou encantada pela série. Eis então, a ira do motoboy.
Ser trocado por um bando de ricos deprimidos e ainda por cima fictícios era demais pra ele. Nem Dan Humphrey o fazia crer na ideia de que os plebeus também podem galgar degraus. Ela sentou-se em frente a TV com uma sacola plástica abarrotada de pipoca e permaneceu vidrada na atuação de Ed Westick, esquecendo-se de Uélson, deitado do seu lado em uma almofada indiana à lá novela da Glória Perez. Tomado pelo tédio, ele caiu no sono e roncava profundamente, ela irritada deu-lhe um cutucão e emendou: "Que pena, você não é um Chéck Béis"


sábado, 24 de abril de 2010

Sábado


Esta manhã estava nublada, mas com um sabor diferente. Sabor de coisas novas, cores mais vivas e iluminadas. O misto de confusão tinha se aquietado dentro de mim, ficou silencioso por algumas horas. A dúvida sempre me acompanhou, e desde então, tinha decidido seguir viagem sozinha. Eu fiz minha escolha: talvez a certa, talvez a errada, mas era preciso arriscar para saber.
Olhei sobre a mesa uma xícara que refletia a luz do dia vinda das janelas de vidros quadriculados. Minha sombra se detalhava nas paredes cobertas por um verniz cintilante e perolado. Não era onde eu deveria estar, mas era onde eu queria permanecer eternamente. Os lábios eram contornados com delicadeza pelos meus dedos, os olhos teimavam em se encontrar um dentro do outro, calados e cumplices.
Uma trilha sonora de um antigo LP, fazia ecoar todos os medos, desejos e culpas. Queria me perder, queria me achar, porém me restava apenas a opção do silêncio.


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pedras e indiretas

Bem, a última crônica rendeu alguns "burburinhos" e eu decidi então, escrever este post com a finalidade de esclarecer uma coisa para os leitores do meu blog miserável. Todos os trechos, frases ou palavras dos textos não fazem referência a ninguém específico. O que eu escrevo é sempre generalizando casos e/ou grupos. Gosto muito dos elogios, sugestões e até mesmo das críticas e "indiretas" que chegam até mim de maneira terceirizada. Pra deixar mais claro ainda, o gênero crônica é bem diferente do comentário, este que serve pra falar exclusivamente de um tema, escrito por um expert no assunto, não por mim (expert em nada). Crianças, não confundam as coisas. Não faço críticas, eu apenas escrevo sentimentos, me divirto, expresso a minha opinião usando ironias, só isso. Eu hein?! Povo mais desconfiado. De qualquer forma, eu adoro quando me atiram pedras e indiretas, é um sinal que vocês ainda leem as minhas loucuras.

sábado, 27 de março de 2010

Simplesmente homens


Me lembro como se fosse ontem. Em 2000, eu era completamente apaixonada pelo cara mais errado do mundo e ficava encantada pelo estilo "mamãe, eu sou mau". Tudo fachada. Mais tarde, descobri como o sujeito era frágil e chorão, o pobrezinho derramou oceanos de lágrimas no fim do nosso namoro e a super vilã de coração de pedra, só pensava em cair na balada seguindo a filosofia daquela canção do Cidade Negra: "Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite".
Eu sempre esperava e me apareciam os mais diversos tipos. Há os bêbados que chegam se achando a última garrafa d'água do deserto, adornados por um terrível bafo de cerveja e uma barriguinha saliente. Péssimo. E os ratos de academia? "Bombadões" de regata coladinha bem no estilo Village People, interessados em mostrar os músculos gigantes e o cérebro atrofiado. Passo.
Isso sem mencionar o (quase) perfeito: bom de papo, bem arrumado, talentoso, inteligente e... amigo, porque é gay. Os acéfalos me divertem! São engraçados, porém não sabem diferenciar Che Guevara de Nelson Mandela. Brochante.
Outra curiosa "espécie" são os novos caubóis, meninos fãs dessa onda musical chamada sertanejo universitário (reparou que todo gênero reciclado leva a palavra universitário como complemento? Logo o espaço se amplia para o axé universitário, punk universitário e por que não, Banda Dejavú Universitária). Eles se vestem a caráter e saem por aí protagonizando a nova safra de cornos conformados.
Olha que ainda nem citei os covers do 50 Cent e os seguidores do "Massacration fashion de ser". Pseudo-roqueiros que não conhecem nenhuma banda de metal e usam camiseta do Iron para impressionar frequentadoras da Galeria do Rock. Porém, a moda agora é ser sentimental. Que tudo, amiga! Os "menininhos Fresno" estão em tempo integral com a progressiva impecável e carregados de abraços fraternos. Mei-go.
E o mais cretino não poderia faltar. Nosso womanizer, vulgo "galinha" de plantão. Aquele que já pegou todas as suas amigas e mesmo assim a boba (pra não dizer idiota) se derrete toda pelo sorriso dele. É trágico. Parece um exagero, mas não é, amada.
Se ele disser que você é única e especial desacredite, pois eles nunca admitem isso quando realmente sentem. Esse tipo de frase clichê na verdade significa: quero te levar a um motel barato. Interessada em sexo casual? Vá em frente. Ora, a mulher também pode usufruir dessa artimanha masculina.
Chega de suspirar, olhar fotos e pensar no "se". E se fosse diferente? E se eu fosse mais bonita? E se... Chega!
Para a maioria dos homens o que importa é a quantidade e não a qualidade, certo? E você, já pensou no número de canalhas (ou não) que passaram pela sua vida? Lembra dos encontros desastrosos? Vê? Eles também erram, e feio. Enfim, para hoje foi o bastante, estou atrasada. Vou participar de um programa bem feminino entre amigas: assistir "Como se fosse a primeira vez", chorar e comer chocolate.


sexta-feira, 12 de março de 2010

Incansável espera


Algumas coisas não mudam com o tempo. O som de uma risada, um perfume amadeirado, uns acordes perdidos num salão vazio onde só o eco pode ser ouvido; nenhuma outra voz, nenhum pedido de desculpas ou confissão de arrependimento. Apenas um lugar bagunçado, sujo e carregado de lembranças boas e ruins. A festa acabou. Sobraram confetes, taças vazias e lágrimas salgadas. Um vestido amarrotado, um sapato caído no canto, uma dama sozinha com maquiagem borrada e penteado desfeito, esperando alguém que não virá. Ela ainda consegue recordar a canção por ele cantada e as repetidas vezes que o viu chorar e esteve lá para abraçá-lo, mas o jovem se foi para sempre e junto dele, os planos e sonhos. Permaneceu sentada, olhando para um espaço desabitado, quieto, tomado pelos resquícios da última valsa antes da partida.
- Ande menina! A festa já acabou!- disse o faxineiro.
- Tudo acabou aqui. - respondeu em tom firme e angustiado.
Levantou-se e caminhou em direção a saída, trancou a porta deixando para trás os sapatos e também seus sonhos, alegrias, medos e lembranças.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Era fascinante ser cafona

















Quem me conhece bem, sabe o quanto eu gosto de remexer em artefatos saudosistas - nome chique para tralhas antigas - . Numa dessas minhas buscas por lembranças, encontrei uma carta recheada de antíteses, escrita pela minha melhor amiga há dez anos. Ao ler aquele pedaço de papel já meio amarelado, senti tristeza e alegria simultâneamente. Alegria por ter compartilhado de uma amizade tão verdadeira e, triste por notar que as coisas mudaram, para nós duas. Tínhamos sonhos parecidos, queríamos ser dançarinas profissionais e trabalhar juntas, encontrar dois príncipes encantados e sermos vizinhas. Fingíamos ser estrelas do axé music - eu sei, era cafona! - e dançávamos de cor todas as coreografias de duplo sentido, hits do final dos anos 1990. Eu era morena, ela... loira. Perfeito. Era o nosso pensamento. Porém, nossas vidas tomaram rumos totalmente opostos. A amiga extrovertida, com ares de comediante e veia artística saliente, escolheu casar-se, ter uma família e dedicar-se a ser uma mãe excepcional. Eu, depois de formar algumas bandas de rock fracassadas, ter alguns namorados errados e inúmeras decepções, decidi entrar para a faculdade, afiar meu sarcasmo natural e ser um pouco mais antissocial. "Irmãs" assim são raras, como rosas de Saron. Algumas amizades a gente carrega eternamente, mesmo longe e com as marcas do tempo estampadas no rosto.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Solidão

Para que olhar o mundo de fora
Se eu o enxergo de dentro
Dentro do meu ego aprisionado pelas lembranças
De quem eu fui um dia
Teu escravo, teu amante, teu pertence raro
A alma libertina que mais te desejou
O veneno perfeito que te matava
E consumia nas insanas noites de inverno
O teu prazer mais cobiçado
O antídoto para curar suas perversões e angústias
Frutos daquele teu objeto de satisfação: eu
Sabia que te era prejudicial, mas você sempre foi persistente
Gostava da inquietude, como um vício
Um vício cujo nome era o meu
Teus olhos percorriam as paredes
Dispersos, curiosos, entristecidos
Não me encontravam em lugar algum
Para onde foi?
Posso estar sufocado dentro da sua alma
Que busca enlouquecida pela minha
Tua boca que meus lábios deseja
O cheiro da minha pele que te consome
Ah! Diga... O quanto sentiu minha falta!
O teu falso sorriso não me engana
E nem alimenta contos criados pela sua mente fértil
Sinto seu sofrimento, longe de quem mais amou
Tuas confissões afirmam minhas contradições
Sorria triste para quem vê e eu de camarote
Contemplo a tua decadência


Texto produzido em 2OO7

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Nove e quarenta


Aquela manhã não parecia igual. O ar estava mais denso, o vento mais brando e o sol teimava em esconder-se atrás das nuvens.
Para ela, poderia ser um dia como outro qualquer. Para ele, uma esperança. Vidas que se cruzariam sem um motivo especial. Ela, viciada em pastilhas de hortelã e bandas alternativas, ele fã de Audioslave e literatura de ficção. Aparentemente, tudo e nada em comum. Vítimas do acaso? Talvez. Aquelas ruas extensas carregadas de histórias faziam-na perceber como sua vida era monótona. Decidiu encontrá-lo, mesmo sem uma desculpa pensada. Marcaram um encontro às nove e trinta. Às nove e quarenta ela chegou.

- Achei que não viria - disse ele em tom de alívio.
- Gosto de supreender - ela respondeu sorrindo.


Esse momento marcava a fusão das vidas de um professor e uma jornalista.
Inquietos, opinativos, rítmicos, sincronizados...






sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

E Deus tornou-se pós-moderno

Abrir os jornais e deparar-se com um "mar de gente" morta, não é nada agradável aos olhos, especialmente daqueles que afirmam crer em uma força superior chamada Deus. A tragédia no Haiti põe em discussão uma pergunta intermitente: Aonde estava Ele?
Bem, o GPS facilitou muito a vida do homem, provavelmente tenha facilitado a Dele também. O catolicismo prega: "Para entrar em contato constante com o celestial é preciso ir à igreja, frequentar as missas e ser um cristão praticante", isso significa que a fé tem localização, lugar marcado. Porém, a religião se contradiz espalhando a ideia de um Senhor onipresente. Se Deus é onipresente, por que devo ir até lá para encontrá-lo? Ele não estava no Haiti? Sabia disso? Talvez.
Humanos costumam usar essa "força sobrenatural" como fonte de expiação de suas culpas. O terremoto? Era vontade de Deus. O aquecimento? Deus quis assim. Não é essa a realidade!
A sociedade tecnológica evoluída e civilizada, deveria entender que coisas boas e ruins são resultados de ações cometidas a curto e longo prazo. O efeito estufa, o aquecimento global e os inúmeros desastres naturais não coincidem com obras de um ser cósmico ultra-poderoso comandante da Terra, apenas são frutos daquilo que nós plantamos.
As milhares de vítimas no Haiti não morreram pela vontade de alguém, morreram por conta de uma falha geológica causadora de um terremoto devastador. Se Deus soubesse utilizar melhor seu GPS, estaria lá para proteger aquele povo, os soldados brasileiros e Zilda Arns, um exemplo de cristã praticante...porém Ele não estava, ou talvez sim e não pôde impedir.
Não esqueçam: Somos os únicos reponsáveis por nossos destinos e pelos caminhos escolhidos. Quem sabe assim, entenderemos melhor o próprio mundo.
Deus tornou-se pós-moderno tentando acompanhar a ligeira evolução. Comprou um GPS e saiu com destino ignorado.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Paradoxo temporal


Primeira postagem do ano. Não vou desejar Feliz Ano Novo, nem boas vibrações e nem o diabo a quatro para ninguém, basta desses "ataques de carinho falso" anuais. Janeiro começou e quase nada muda. Pode parecer pessimismo e, até mesmo um olhar melancólico da vida, mas não é, meus caros isso se chama realidade.
Chega dezembro, todo mundo fica solícito, generoso, grato, sorridente, como se quisesse expurgar os pecados que cometeu o ano todo. É patético. No Orkut, são páginas e mais páginas de recados fofinhos e mentirosos.
As pessoas pouco se importam se você vai ter prosperidade ou não. Fato. Estou escrevendo como um desabafo, o fim de ano não muda caráter, tampouco converte. O engraçado na história é a maneira como o ciclo sempre se repete. Passadas as festas natalinas e de reveillon, segue-se o Carnaval, onde o "povão" se acaba nas orgias, na bebedeira e na besteira.
E vem a Páscoa! Ó, vamos agora abster-nos de carne em remissão dos pecados. Poupe-me. O domingo pascal é dia de morrer comendo chocolate, "churrasquear" (agora já pode se abarrotar de carne!) e assistir filmes babacas na TV. São datas meramente ilustrativas como as fotos publicitárias dos alimentos, só ilusões. O ser humano há muito tempo perdeu sua essência cooperativista e seja qual for a comemoração, limita-se a trocar presentes, bombons, tomar champanhe e ficar de porre.
O exemplo de benevolência é tão arcaico quanto desenhar em rochas. Talvez, esses homens primitivos, soubessem mais sobre o que eu estou tentando dizer. A evolução trouxe consigo a proximidade e a distância ao mesmo tempo.