segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Paradoxo temporal


Primeira postagem do ano. Não vou desejar Feliz Ano Novo, nem boas vibrações e nem o diabo a quatro para ninguém, basta desses "ataques de carinho falso" anuais. Janeiro começou e quase nada muda. Pode parecer pessimismo e, até mesmo um olhar melancólico da vida, mas não é, meus caros isso se chama realidade.
Chega dezembro, todo mundo fica solícito, generoso, grato, sorridente, como se quisesse expurgar os pecados que cometeu o ano todo. É patético. No Orkut, são páginas e mais páginas de recados fofinhos e mentirosos.
As pessoas pouco se importam se você vai ter prosperidade ou não. Fato. Estou escrevendo como um desabafo, o fim de ano não muda caráter, tampouco converte. O engraçado na história é a maneira como o ciclo sempre se repete. Passadas as festas natalinas e de reveillon, segue-se o Carnaval, onde o "povão" se acaba nas orgias, na bebedeira e na besteira.
E vem a Páscoa! Ó, vamos agora abster-nos de carne em remissão dos pecados. Poupe-me. O domingo pascal é dia de morrer comendo chocolate, "churrasquear" (agora já pode se abarrotar de carne!) e assistir filmes babacas na TV. São datas meramente ilustrativas como as fotos publicitárias dos alimentos, só ilusões. O ser humano há muito tempo perdeu sua essência cooperativista e seja qual for a comemoração, limita-se a trocar presentes, bombons, tomar champanhe e ficar de porre.
O exemplo de benevolência é tão arcaico quanto desenhar em rochas. Talvez, esses homens primitivos, soubessem mais sobre o que eu estou tentando dizer. A evolução trouxe consigo a proximidade e a distância ao mesmo tempo.

Um comentário:

  1. Quando li da primeira vez já tinha concordado.
    E apesar do mesmo pensamento, gosto de imaginar que isso poderia ser menos ácido (essa realidade)

    Eu mesmo não saio aos quatro ventos desejando felicidades no primeiro dia do ano. É difícil, mas quase nunca faço esse jogo de mentiras e interesses, ainda que as vezes saia perdendo.

    O mais importante é ter um texto escrito de maneira tão considerável e ao alcance dos outros seres que ainda vivem iludidos por esse mundinho gelado.

    Beijos Gess..

    Brunno Lopez

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