segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O amor supera (quase) tudo, não é?

Quem aí acredita verdadeiramente no amor levanta a mão. É por isso quase todo mundo ergueu o braço, visto que as pessoas têm mania de acreditar naquilo que nunca viram: políticos honestos, Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e a Hebe Camargo jovem. Enfim, segundo Camões essa sensação é fogo que arde sem se ver, ou seja, apenas um cego vai saber como é.
Não adianta bancar o Geraldo Majela, porque o tal sentimento não vai aparecer na sua vida. Porém, sempre há um babaca adepto da frase clichê "o amor é igual ao vento; não se vê, mas sente". Resumindo, se esse vento for do tipo Katrina eu estou perdida. 
Certa vez conheci um cara estilo protagonista de filme: alto, moreno, corpo bronzeado, forte - e nem estou falando de ex-BBB, hein?! - então, decidi me declarar dizer o quanto a paixão muda os destinos. Ele balançou a cabeça positivamente me abraçando e selando o momento com um beijo. Que homem perfeito! Só depois eu soube, pobrezinho era surdo.
Outra coisa que chama a atenção são as redes sociais atingindo diretamente os relacionamentos, antes não existia isso, agora o Orkut determina a vida amorosa dos outros. Se o "status namorando" sumir, a crise está decretada. Por outro lado, se os amigos começam a desaparecer, alguém está te deletando da lista ou sendo obrigado a isso, embora tal atitude não tenha o mínimo de sentido. 
O site não é oráculo da fidelidade, ele não escolhe quando um dois vai trair e nem apaga memórias vividas ao lado de pessoas do passado, mesmo você acreditando na vã filosofia  do "amor supera tudo". Se me considerar uma ameaça virtual por qualquer motivo - terrorismo, desvio de dinheiro, roubo de carros entre outros -  tem o direito de clicar em "remover amigo", já que isso o amor não pode fazer, ainda não atingiu esse estágio de superação.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Inverno flamejante (Parte I)

Áustria, Viena, 12h05min.

Ainda calado, Scott preparou uma dose de uísque e sentou-se no sofá para ver TV tentando se livrar do frio. Não conseguiu se concentrar, estava mergulhado no trabalho, era corretor de imóveis e passava a maior parte do tempo ao telefone com seus contatos. Ficou “zapeando” os canais e não achou nada interessante. Tomou o celular nas mãos e discou.

 - Alô?
- Alô, Audrey? Sou eu Scott.
- Ah, oi como está?
- Bem, fiz mal em ligar?
- Não, estou feliz com sua ligação.
- Que bom! Olha, eu andei pensando, gostaria de jantar comigo hoje à noite?
- Vamos fazer melhor, eu peço o jantar e você me faz companhia na suíte, que tal?
- Perfeito! Às nove?
- Combinado. Até mais tarde.
- Tchau.

(Ligação finalizada)

Jens, o irmão mais velho estava parado na porta com os braços cruzados ouvindo. Disfarçadamente, deu uns passos para trás evitando que Scott sentisse sua presença.

Sala de estar do apartamento de Jens, 20h30min.

 - Vai sair, Scott?
 - Sim, tenho um compromisso daqui a pouco.
 - Vai ver a bela advogada de ar sisudo e seios fartos?
 - Ah, não…É…Não...Não importa!
 - Estou mentindo por acaso? – Disse rindo com ironia.
 - Me dê as chaves do carro, por favor.
 - Claro, são suas. Juízo. Mulheres têm o dom de nos fazer perder a cabeça.

Scott revidou a risada irônica e saiu. A caminho do hotel, ele colocou uma música para pensar em como seria o encontro. Perfeito, pensou.
Dirigiu até o estacionamento, parou o carro e acionou o alarme. Entrou no saguão, respirou fundo, caminhou até a recepção, acertou os detalhes da visita e sua entrada foi prontamente liberada para a suíte.
No elevador, olhava para os lados tentando se livrar da ansiedade. 

Hotel Ambassador, suíte de Audrey, 21h05min.

Scott apertou a campainha e deu um suspiro forte e breve. Audrey abriu a porta.

- Está cinco minutos atrasado – Brincou.
- Era o trânsito e minha ansiedade juntos, fusão terrível. – Rebateu sorrindo.

Antes que pudesse se ater a qualquer outra coisa, ele fixou o olhar naquela mulher de cabelos levemente ondulados, soltos na altura das costas emoldurada por um lindo vestido de cetim lilás.

- Está linda!
- Não seja galanteador antes da hora, cavalheiro. – Sorriu.
- Só a verdade. – Retribuiu sorrindo e fazendo uma reverência com as mãos.
- Vamos, entre! O jantar nos espera.

Scott atravessou a suíte observando a harmonia das curvas de Audrey dentro do vestido. Imaginou poder arrancá-lo ali mesmo. 


(Continua...)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Entre outras coisas trágicas

O ano de 1996 foi histórico, marcado por tragédias. Morte dos integrantes da banda Mamonas Assassinas, do Renato Russo, queda do Fokker 100 da Tam entre outras. Mas a maior catástrofe da minha vida foi entrar para a 5ª série. Naquela época, encerrar o ciclo do ensino básico e ingressar no ginásio significava tornar-se mais adulto, fazer-se visto e ser relevante. Com a idade avançando eu precisava me adequar de qualquer maneira dentro dos padrões conseguindo assim popularidade, amigos descolados e a certeza de não desenvolver um trauma permanente que me transformasse em uma jornalista de blog no futuro, pelo menos achava isso.
Tudo corria bem até a chegada do – bendito - outono e junto dele a febre das jaquetas jeans. O grunge consolidava sua passagem memorável pela trajetória da música e trazia consigo um exército de moderninhos enjaquetados com a logomarca da Hard Rock Cafe estampada nas costas fazendo propaganda de várias cidades importantes no turismo mundial. Foi despertado em mim o desejo intermitente de participar dessa massa consumista e não ser excluída pelos adolescentes estilosos. A peça símbolo da cadeia de restaurantes temáticos converteu-se numa espécie de requisito chave na hora de aceitar o novo membro no grupo de alpinistas sociais.
Se você tivesse uma poderia ser considerado alguém, caso contrário nem sabiam seu nome. Comecei então cogitar a hipótese da Hard Rock Cafe tentar o dominar o mundo ajudada por milhões de soldados uniformizados a caráter. Provavelmente estaríamos diante da batalha do século, uma sociedade dividida entre influenciáveis e rebeldes seguidores do socialismo de Marx, o “Muro de Berlim” humano. Já imaginou se a moda ditasse regras desse tipo ainda hoje? As coleções seriam lançadas a cada cinco anos e os estilistas milionários da máfia têxtil, todas as redes de lanchonetes e derivados entrariam na onda. A Starbucks seria a campeã atual até mesmo entre os que odeiam café. Vou parar porque está na hora da minha terapia. Certos abalos psicológicos não se curam só na base do tempo.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Mãe, eu tô na internet!

Aposto uma alma que o Diabo - não - quer

Acabei de assistir clipe "Nightmare" do Avenged Sevenfold e devo dizer: eles realmente têm talento! O enredo do vídeo é uma homenagem ao ex-baterista The Reverend, falecido no final de 2009. Trata dos "pesadelos" humanos; a loucura e seu mal escondido, mas ao mesmo tempo demonstra ser uma espécie de relato, talvez sobre a morte do integrante da banda.
Na época, vários boatos surgiram pela web dizendo que The Rev teria feito um pacto demoníaco - pra variar! - em troca de sua banda alcançar o sucesso. As causas do boato eram simples: ele esteve exatos 10 anos em atividade musical, morreu com a mesma idade de grandes ídolos da música e praticamente da mesma causa. Na lista do "Clube 27" encontramos personalidades como Robert Johnson, Janis Joplin, Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Jim Morrison e Brian Jones um dos fundadores dos Rolling Stones. Toda essa lenda sobre pactos da encruzilhada e sucesso repentino nos fazem pensar se é uma obra maligna ou mera coincidência, pois todos esses músicos eram bons em sua profissão, únicos, cada um a sua maneira e, tornaram-se mitos. Porém aí entra o racíocinio lógico. Por que apenas os caras fodas é que têm parte com o Diabo? Por que só eles morrem de causas consideradas diabólicas? Os ruins só morrem. Percebeu?
Deixa eu exemplificar para ficar mais claro. Muitas bandas e artistas surgem do nada, fazem um sucesso estrondoso e ninguém imagina tal grupo ou membro dele fazendo um acordo com Lúcifer. Vejam o Cine. Ué, por que não? Saíram do além usando calças coloridas, cantando músicas bizarras e conseguiram ser considerados uma revelação.
Isso sim é parte com o demônio! Se daqui há 10 anos o DH - mania de abreviar nome! - bater as botas, eu duvido, du-vi-do que qualquer pessoa ouse dizer: Esse cara fez um pacto para ter fama! Não vai, o subconsciente está programado para rotular até isso. O 'menininho do amor', não faria uma coisa dessas, faria? Todo mundo pensa: Não, nunca! Só Janis, Kurt, Hendrix são adeptos disso aí . Toda essa conversa sobre almas vendidas é mera coincidência, embora eu ainda ache que "Luci" só negocia com gente mais capacitada, não vai manchar sua reputação à toa. Se o Cine compactuasse com alguma criatura maligna, a boneca assassina da Xuxa dava conta.
Exemplo claro de possessão

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Um estrondoso e calado amanhecer

Era simplesmente mais uma noite, mas não uma noite qualquer daquele ano de 2002. Carnaval, fim de festa, pessoas se movimentando, olhares desatentos, outros curiosos, bocas sorridentes, bocas ocupadas, o clube ia ficando vazio e tomado apenas pelos funcionários e o resto da banda que se aprontava para deixar o local.
Ela, sonolenta caminhava com dificuldade carregando uma mochila, cheia de maquiagem, fantasias e coisas usadas para se apresentar. Ele, sentado no balcão do bar, a olhou, respirou por dois segundos e a seguiu com os olhos até ela desaparecer na escada, como um fantasma. Precisava vê-la mais uma vez, saber seu nome, quem era, como alguém de tão encantador sorriso poderia existir?
Caminhou em direção a escada, subiu lentamente passo por passo pensando em algo para dizer, não pensou em nada. Hesitou, sentiu as mãos suarem, desceu um degrau, olhou em volta e subiu. Parado na porta ele a avistou de longe sentada em meio aos colegas, sorrindo, gesticulando; a beleza teria tomado forma e se personificado, pensou. Se aproximou, seus olhares se cruzaram, ela o fitou como quem sabia das intenções, se levantou e passou por ele sorrindo, dona de uma expressão convidativa e instigante ao mesmo tempo. O menino a seguiu e lhe encontrou perto do palco pensativa; esticando a mão se apresentou com um gesto de cavalheirismo nada típico para um jovem de dezessete anos. Ambos disseram seus nomes e conversaram, ela o achou divertido, apesar de um pouco desligado e falante, encarou-o com precisão, sentiu as pupilas dilatarem, as mãos tremerem e o coração acelerar descompassado, mas foram pegos de surpresa pelos outros integrantes da banda. Disfarçaram. Em vão.
Rapidamente ele entregou um papel com os seguintes dizeres: "Me encontre esta noite no segundo andar do clube às nove horas". Ela leu, sorriu e caminhou vagarosamente até a porta onde todos a esperavam. Deitou-se e o sono parecia nunca chegar; para o garoto não era diferente, imaginava de todas as maneiras estar ao lado da delicada menina de cabelos escuros, de olhos claros, nítidos, maliciosos.
Por fora, era só mais um louco, posando de inabalável, insensível e turbulento, porém sua consciência tinha a plena certeza que não era assim. Às nove horas lá estava de pé, olhando para a lua na sacada do prédio onde ficava o clube. Às nove e sete ela apareceu, linda, irradiando luz, transcendente como uma visão e sem nada dizer apenas sorrindo a jovem calou o silencio com um beijo envolvente, caloroso, tórrido. As mãos se encontraram suaves, simétricas, entrosadas, bem como as línguas dispersas e unidas simultaneamente trocavam experiências. Se afastaram, sentiram os corpos um ao outro e se envolveram num abraço quente, sincero, o qual fez o mundo parar por alguns instantes.
Os instantes se estenderam, se tornaram minutos, horas e o pôr-do-sol os acolheu cheio de sublime maestria, logo as mãos intercaladas se desprenderam, os lábios se fecharam e os olhos perceberam a hora da despedida. Mais uma vez, ele a olhou com extremo afeto e a deixou partir, junto com ela, o pôr-do-sol trazendo consigo um novo dia, esculpindo uma nova página a ser escrita no livro da sua vida.


Texto produzido em 29/08/2009
Também disponível no blog: http://apoenabaquara.blogspot.com/2009_08_01_archive.html

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Etéreos


Era a primeira consulta da condessa Lauren McGhoy com seu analista. Estava aflita, embora soubesse que seria a melhor solução para seus medos. Chegou cedo ao consultório, aguardou por alguns minutos e entrou na sala. Muitos livros, uma luminária antiga, uma poltrona reclinável e o tradicional divã.
- Suponho que seja Lauren. – Uma voz grave ecoou da porta.
- Sim, e o senhor é o Doutor Feldman? Tão jovem. – respondeu admirando-o.
- Por favor, me chame de Benjamin. Dediquei minha vida ao estudo da psicologia, mas agora sente-se. – Sugeriu ele.
Depois de muita conversa, pareciam amigos de infância, ela sorria e o médico retribuía com certo ar sacana. Terminava a sessão, Lauren precisava ir. Ele a encarou com tamanha violência e ao mesmo tempo pureza. Seus olhos contavam tudo o que os pensamentos escondiam.
Caminhou até a moça e tocou-lhe o ombro despindo-o de sua escorregadia blusa acetinada. Beijou a pele de textura firme, porém macia provocando nela um leve suspiro. Os lábios encontraram o pescoço desnudo, os cabelos ruivos afastados para o lado numa espécie de convite.
Sem hesitar, Doutor Feldman deslizou-se para provar de sua tez delicada, acariciou-lhe o lóbulo da orelha afagando as madeixas avermelhadas.
- Doutor, pare! – murmurou ela, inconscientemente implorando por mais.
- Ben, me chame de Ben. – respondeu num sussurro.
Em silêncio a paciente sinalizou um sim deitando-se de novo no divã. Suas curvas à meia luz destacavam-se ainda mais pela sombra, era uma obra de arte, um templo, ele pensou. Ben reclinou-se apoiando os braços em volta do corpo dela, tocou-lhe o queixo com a boca e foi subitamente tomado por um beijo quente, intenso, paralisador. As línguas moveram-se tímidas e em poucos segundos entrelaçaram-se íntimas.
A condessa desceu as frágeis mãos pelas costas torneadas do analista agarrando-lhe a carne, arranhou sutilmente os braços definidos enquanto mordiscava o lábio inferior dele e arrepiava-se com o roçar da barba por fazer em seu rosto. Entreolharam-se. Os faiscantes olhos verdes de Ben causavam uma tempestade de desejos em Lauren. Ele relutou por um momento, mas de maneira furtiva abriu o botão que o impedia de explorar os seios rijos. Apalpou com vontade e contenção usando as pontas dos dedos; respirava forte, lento, quase compassado. As batidas do coração insistiam em acelerar e o sangue correr mais rápido em suas veias. Sugou-lhe o mamilo enquanto as pálpebras se encarregavam de permanecer fechadas. Sentiu um ardor percorrer toda a extensão de seu corpo num misto de prazer e culpa. Ouviu passos cada vez mais próximos.
- Doutor Feldman, acorde! Me desculpe incomodar, mas a nova paciente já está na sala de espera. É a condessa McGhoy – afirmou a secretária.
- Estarei pronto em breve – disse ajeitando o blazer cinza amarrotado pelo divã.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Notícia na mão é vendaval

Seria muito mais simples começar pregando a velha filosofia utópica dos discursos aprendidos na faculdade: “O profissional do jornalismo informa para servir”. Na prática será mesmo assim? Sabemos que não. A informação atual virou comércio, barganha, troca de favores e serve apenas aos interesses de uma classe pré determinada. E que classe é essa? Certamente não é a das vítimas de problemáticas sociais.
Nos bancos da universidade se fala da ética, do compromisso com a verdade, do texto impessoal e do pluralismo, mas a realidade mostra antônimos. Poucos são os jornalistas dispostos a se expor em nome de uma causa. Tim Lopes o fez e o que lhe restou foram homenagens e uns 30 minutos do precioso tempo daquele conglomerado persuasivo. Há um trecho do “Livro Sagrado” que relata exatamente a situação dos repórteres ativos: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro”. No jornalismo também é assim. Defender a matéria nossa de cada dia significa acatar imposições vindas de cima e, para não contrariar – e correr o risco de ficar desempregado – o jornalista se sujeita a tais coisas tornando-se uma espécie de “garoto de recados” sem opinião, nem perspectiva.
Essa é a realidade da notícia no Brasil, eis aí os ”filhos da pauta” tupiniquins. O Correio Braziliense trouxe novidades, expectativas e ideias liberais como o de uma monarquia institucional e o fim da escravidão, porém tudo isso veio por terra no momento em que a Coroa Portuguesa passou a pagar mil libras esterlinas anuais à Hipólito da Costa. Ironia ou não, a notícia continuou se vendendo e permanecerá desta forma enquanto o capitalismo imperar no país.
O papel do jornalista passou de colaborador a informante, vulgo fofoqueiro. Não o vemos mais como figura social, parte importante de um todo no cooperativismo. Tornou-se banal e até mesmo desnecessário. O idealismo foi esquecido na ação, é lembrado unicamente como teoria. Encaixa-se nas provas, embora não tenha espaço para encaixar-se na vida.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Dorme neném, a TV está ligada na CW


Ultimamente virou moda falar sobre coisas sobrenaturais. Anjos, demônios, fantasmas, bruxas - Potter não conta! - vampiros, lobisomens, espectros, sacis, curupiras, boitatás e não me admiro se a Cuca ficar famosa de novo. Humanos adoram lidar com coisas desconhecidas, talvez isso estimule a adrenalina cerebral, quem sabe. Explorar o desconhecido é próprio da natureza do homem, tentar entender ou posicionar-se a respeito de forças ocultas também.
Desde pequenos somos induzidos a acreditar que existe um bicho-papão morando embaixo da cama e, se não formos boas crianças, ele vem nos devorar. Sinceramente, sempre defendi a hipótese do bicho-papão morador lá de casa ser vegetariano, pois nunca deu nenhum sinal de vida - ou morte - e hibernava em tempo integral embaixo dos movéis.
Criou-se um estereótipo para definir tais "criaturas do além"; demônios são do inferno, rodeados por labaredas de fogo, fumaça preta e todo aquele glamour de Hollywood, anjos são crianças ou lindos jovens loiros de cabelos cacheados e asas branquinhas, bruxas usam um chapéu roxo e tem um nariz grande e cheio de verrugas, - sim, pessoas narigudas sofrem - vampiros são sedutores - alguns brilham no sol, quanto "fashionismo" - , usam roupa preta e se parecem com Ian Somerhalder ou Robert Pattinson. Ah, qual é?
Alguém já parou para pensar que anjos ou demônios são nossos próprios conflitos internos? Quem nunca acordou num dia ruim onde tudo parece um verdadeiro purgatório? E há também os dias bons, ensolarados, tais como o paraíso.
Então, por que cultuar uma obsessão por entidades além da matéria? Essas são crenças da Idade Média, não dos dias contemporâneos. Edward Cullen, o representante mór do modernismo vampiresco criado por Sthepenie Meyer, mostrou até que ponto esses atraentes mortos-vivos podem ser metrossexuais (leia-se: gays). Se os vampiros evoluíram, os outros monstros também merecem essa chance. As bruxas devem recorrer a uma plástica, demônios mudar-se para o Alasca e viver num iglu tentando livrar-se de tanto calor, lobisomens já contam com depilação a laser, uma opção definitiva na remoção dos pelos corporais e a Cuca viciou-se em Gossip Girl tendo de frequentar terapia de apoio para compradores compulsivos. Você ainda acha que eles querem nos aterrorizar com tanta coisa melhor a fazer? Reveja seus conceitos e pare de ler os livros do Dan Brown.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Mitologia segregada


Seis letras. Três sílabas. Um nome forte, sagrado. Seu portador porém, é a sintetização daquilo que chamamos pecado: carnal, hedonista e envolvente. Se houvesse personificação de mistério talvez fosse escolhido, embora outros adjetivos lhe caibam bem; canalha, poligâmico, sedutor... Escolha difícil.
Certos desafios te põe à prova de resistência e, esse é um deles. A fusão do bem e do mal dispostos ao seu alcance pode ser funesta. São cheiros, toques, sabores incalculáveis. Todos os sentidos perdidos, inebriados pelo vinho doce quase letal.
Os expressivos olhos escuros, inquietos e um tanto mentirosos, os lábios convidativos de uma boca acostumada a torturar os ouvidos das mocinhas tão vulneráveis aos seus encantos. As linhas do corpo delineadas com maestria beirando a perfeição.
Ele é surreal esculpido como um David de Michelangelo, mas nomeado com a sutileza de R. Sanzio, tem atributos dionisíacos seguindo a filosofia de vida dissoluta. Se perdeu do Olimpo e foi lançado na Terra, sua missão é satirizar corações, espalhar sensações desconhecidas e desaparecer. Um amante mítico, caloroso e imortal.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Epitáfio musical



Ando meio desorientada, pois me falta o principal elemento da escrita: criatividade. Geralmente, ela está subentendida em assuntos clichês como amor, tristeza, críticas de vários gêneros, política, cinema, etc. São (quase) os mesmos rótulos com conteúdos diferentes; assim é a música impregnada em minha vida de maneiras tão diversas, de rostos, olhos, cores, formas e egos variáveis. Solos peculiares, minuciosos ou simplesmente crus, fortes e rápidos. De qual mais gosto? Difícil dizer, todos me causam sinestesia, amnésia, êxtase.
Pode ser uma guitarra de timbre agudo, preciso, inconfundível carregada de memórias ou uma bateria ensurdecedora tão presente quanto viva. Começo a acreditar que karmas existem. Talvez esse seja o meu, viver para conhecer criaturas musicalmente sedutoras e cruéis, espectros melódicos que sugam sua energia e vitalidade. Desisti de enfrentá-los, me acomodei. Ao encontrar um, faço o possível para não me abater e seguir em frente. Monstros alimentados por um alter ego masoquista e amante dos acordes, que atinge seu clímax ao ouvir uma escala de Tchaikovsky, riffs de Vai ou ritmo de Portnoy. Um outro lado impossível de se controlar, autossuficiente, dominador e mórbido que ouve "Dance of the sugar plum fairy" bebericando seu próprio veneno. Incisivo, latente e nada criativo.

sábado, 1 de janeiro de 2011

É demodê ser hype?


A vida é efêmera, intensa e radiante. Despudorada, cheia de luz e densa, mas também caos, um grito de desespero dos demônios mais latentes e pujantes. Se eu fizer um exame de consciência vou encontrar inúmeras patologias até então desconhecidas.
As pessoas não nascem para dar orgulho, elas vêm ao mundo com o propósito de decepcionar, sejam os outros ou a si mesmas. O comum nunca pode ser genial porque a genialidade se esconde nas facetas mais insanas. A inteligência abre mentes e enclausura a realidade, te faz crítico, observardor e alheio aos sentimentos; é mágica, onipotente e depressiva.
Os gênios desconhecem a felicidade, pois esta não é sábia, apenas cega. A inteligência é egoísta, solitária e trágica. É humilhante viver percorrendo o caminho contrário num eterno retrocesso. O universo está abarrotado de pensadores hi-tech. Uns coerentes e alguns nem tanto, o importante é se fazer visto. O novo conhecimento enlatado tornou-se velho e demodê, a nova "onda" é ser explícito e não fazer nenhum sentido.