domingo, 23 de maio de 2010

Efeito colateral


Esta manhã eu me dei conta de que acordei do meu melhor sonho, talvez tenha sido um pesadelo e eu não percebi. Descobri como o som da sua risada era irritante e me deixava feliz, como encontrar a sua mão entrelaçada a minha, fazia meu coração disparar e me sentir viva. Ainda mais. Mas eu acordei. Sem um sorriso, apenas resignada. As suas loucas canções só tinham sentido quando eram ouvidas por mim, as suas promessas soaram reais, embora não fossem, o seu abraço ficou distante e calado, assim como a composição nunca feita. Tudo aconteceu como um flash; rápido, intenso e delirante, uma espécie de anfetamina dominadora do meu sistema nervoso central. E terminou exatamente do mesmo jeito. Algumas drogas realmente se tornam um vício, você é uma delas, cheia de efeitos colaterais. Realmente uma pena eu ter me internado na reabilitação.



sábado, 15 de maio de 2010

Nova York é na Bahia


Começa aqui a saga de uma heroína nada convencional como as "Helenas" de Maneco, tampouco sofredora no estilo dramalhão mexicano. Estou falando de Cleidemara, baiana "arretada" que veio tentar a vida em São Paulo na função de diarista. Ao longo dos 26 anos, não tinha muita história pra contar até conhecer seu namorado: Uélson. Sim, a grafia e pronuncia estão corretas. No príncipio iria ser Wilson, mas o problema foi o erro da atendente do cartório ao confundir-se com o sotaque alagoano de painho e registrar o menino exatamente com o nome que ouvira.
Cleidemara o conheceu em uma comunidade do Orkut chamada "Eu Amo/Sou Motoboy" e, depois do primeiro encontro teve a certeza: ele era o amor da sua vida. Telespectadora assídua do SBT, começou a acompanhar a primeira temporada de Gossip Girl. Uma tragédia na vida de Uélson. Com os figurinos deslumbrantes das personagens e os acompanhantes masculinos pra lá de sedutores, a moça ficou encantada pela série. Eis então, a ira do motoboy.
Ser trocado por um bando de ricos deprimidos e ainda por cima fictícios era demais pra ele. Nem Dan Humphrey o fazia crer na ideia de que os plebeus também podem galgar degraus. Ela sentou-se em frente a TV com uma sacola plástica abarrotada de pipoca e permaneceu vidrada na atuação de Ed Westick, esquecendo-se de Uélson, deitado do seu lado em uma almofada indiana à lá novela da Glória Perez. Tomado pelo tédio, ele caiu no sono e roncava profundamente, ela irritada deu-lhe um cutucão e emendou: "Que pena, você não é um Chéck Béis"