sábado, 27 de março de 2010

Simplesmente homens


Me lembro como se fosse ontem. Em 2000, eu era completamente apaixonada pelo cara mais errado do mundo e ficava encantada pelo estilo "mamãe, eu sou mau". Tudo fachada. Mais tarde, descobri como o sujeito era frágil e chorão, o pobrezinho derramou oceanos de lágrimas no fim do nosso namoro e a super vilã de coração de pedra, só pensava em cair na balada seguindo a filosofia daquela canção do Cidade Negra: "Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite".
Eu sempre esperava e me apareciam os mais diversos tipos. Há os bêbados que chegam se achando a última garrafa d'água do deserto, adornados por um terrível bafo de cerveja e uma barriguinha saliente. Péssimo. E os ratos de academia? "Bombadões" de regata coladinha bem no estilo Village People, interessados em mostrar os músculos gigantes e o cérebro atrofiado. Passo.
Isso sem mencionar o (quase) perfeito: bom de papo, bem arrumado, talentoso, inteligente e... amigo, porque é gay. Os acéfalos me divertem! São engraçados, porém não sabem diferenciar Che Guevara de Nelson Mandela. Brochante.
Outra curiosa "espécie" são os novos caubóis, meninos fãs dessa onda musical chamada sertanejo universitário (reparou que todo gênero reciclado leva a palavra universitário como complemento? Logo o espaço se amplia para o axé universitário, punk universitário e por que não, Banda Dejavú Universitária). Eles se vestem a caráter e saem por aí protagonizando a nova safra de cornos conformados.
Olha que ainda nem citei os covers do 50 Cent e os seguidores do "Massacration fashion de ser". Pseudo-roqueiros que não conhecem nenhuma banda de metal e usam camiseta do Iron para impressionar frequentadoras da Galeria do Rock. Porém, a moda agora é ser sentimental. Que tudo, amiga! Os "menininhos Fresno" estão em tempo integral com a progressiva impecável e carregados de abraços fraternos. Mei-go.
E o mais cretino não poderia faltar. Nosso womanizer, vulgo "galinha" de plantão. Aquele que já pegou todas as suas amigas e mesmo assim a boba (pra não dizer idiota) se derrete toda pelo sorriso dele. É trágico. Parece um exagero, mas não é, amada.
Se ele disser que você é única e especial desacredite, pois eles nunca admitem isso quando realmente sentem. Esse tipo de frase clichê na verdade significa: quero te levar a um motel barato. Interessada em sexo casual? Vá em frente. Ora, a mulher também pode usufruir dessa artimanha masculina.
Chega de suspirar, olhar fotos e pensar no "se". E se fosse diferente? E se eu fosse mais bonita? E se... Chega!
Para a maioria dos homens o que importa é a quantidade e não a qualidade, certo? E você, já pensou no número de canalhas (ou não) que passaram pela sua vida? Lembra dos encontros desastrosos? Vê? Eles também erram, e feio. Enfim, para hoje foi o bastante, estou atrasada. Vou participar de um programa bem feminino entre amigas: assistir "Como se fosse a primeira vez", chorar e comer chocolate.


sexta-feira, 12 de março de 2010

Incansável espera


Algumas coisas não mudam com o tempo. O som de uma risada, um perfume amadeirado, uns acordes perdidos num salão vazio onde só o eco pode ser ouvido; nenhuma outra voz, nenhum pedido de desculpas ou confissão de arrependimento. Apenas um lugar bagunçado, sujo e carregado de lembranças boas e ruins. A festa acabou. Sobraram confetes, taças vazias e lágrimas salgadas. Um vestido amarrotado, um sapato caído no canto, uma dama sozinha com maquiagem borrada e penteado desfeito, esperando alguém que não virá. Ela ainda consegue recordar a canção por ele cantada e as repetidas vezes que o viu chorar e esteve lá para abraçá-lo, mas o jovem se foi para sempre e junto dele, os planos e sonhos. Permaneceu sentada, olhando para um espaço desabitado, quieto, tomado pelos resquícios da última valsa antes da partida.
- Ande menina! A festa já acabou!- disse o faxineiro.
- Tudo acabou aqui. - respondeu em tom firme e angustiado.
Levantou-se e caminhou em direção a saída, trancou a porta deixando para trás os sapatos e também seus sonhos, alegrias, medos e lembranças.