sábado, 12 de dezembro de 2009

Só um amor


Ela só queria um amor. Nem alto, nem baixo, apenas um amor.
Aquele que a ouvisse, entendesse, incendiasse. Suspirou de esperança e aflição.
Um amor de sorrisos, palavras, abraços e beijos. Um amor de tardes chuvosas, noites quentes e frias, de todas as estações.
Pra vida toda ou só um dia, bonito ou feio, falante ou quieto. Era só um amor. Atravessou a rua, olhou ao redor, não viu nada além de gente apressada, inquieta, mau-humorada. Sentou-se em um banco próximo à praia, ficou olhando as ondas quebrarem na areia, lentas e fortes. Deixou o vento bagunçar seus cabelos desalinhando os fios castanhos em cascatas leves. Caminhou até o mar, molhou os pés brincando com a água, abriu os braços abraçando o mundo por um instante, rodou, rodou, rodou até sentir que não podia mais equilibrar-se, então, deitou-se permitindo ao mar beijar seu corpo com tamanha voracidade. Talvez o mar, seja seu único e grande amor.






sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mil cento e cinqüenta e cinco dias

A profecia Maia é clara. Em 21 de dezembro de 2012, com a chegada do solstício de inverno ocorrido a cada 26 mil anos, uma grande transformação acontecerá no mundo. Será o fim ou o início?

Nunca fui de acreditar em previsões, tarô, “faça sua amarração” ou similares, mas desta vez se for mesmo verdade, preciso correr.

Há milhares de lugares e pessoas que ainda não conheci, inúmeras culturas não estudadas e decepções por sofrer. Não consigo cogitar a ideia de quem sabe morrer sem ao menos ter sido mãe e assistido a Copa e as Olimpíadas sediadas no Brasil. Todo esse papo de juízo final me fez refletir sobre a humanidade e, sua auto destruição sinal muito maior que qualquer profecia. O homem é assassino de si mesmo, de seus valores e sentimentos.

Agora, é tempo de sair às ruas, protestar contra o racismo, a homofobia, o fanatismo religioso, toda e qualquer forma de preconceito. É o momento de desatar os laços de desigualdade e unir os povos, imaginar por alguns instantes um novo mundo, mais ou menos no estilo hippie de ser. Comunidades cantando “Imagine” e acendendo incensos para purificar a alma.

Também é hora de aproveitar as pequenas coisas: distribuir agrados, dizer “eu te amo”, ligar para um amigo distante, ouvir histórias da avó e sorrir sem motivo. A minha placa de “abraços grátis” já está pronta!

Se o tal apocalipse não vier, ao menos temos a certeza que a ameaça nos tornou seres humanos melhores, capazes de perceber detalhes antes nunca notados, gratos por reencontrar a esperança perdida, entendendo o significado da palavra afeto.

Perceba que realizar sonhos não é conquistar o impossível, mas sim importar-se com os simples desejos. E você, já realizou um sonho hoje? Faltam 1155 dias. Para os maias, pode ser o fim, para nós, um recomeço.


*texto produzido em 26/10/09

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

éclairé, illuminato, erleuchtet, förståndig



E de repente lá estava ele com aquele sorriso iluminador. Não deu tempo de parar para saber o que estava acontecendo, marcava o final de um ciclo e início do novo. Se todos os meus sinais vitais pudessem falar, descreveriam a confusão de sentimentos. Já sabia! Era especial, diferente, uma forma personificada de harmonia, ritmo e cores, unidos, complexos e completos. Sorriu timidamente, encantador, único. O tempo estagnou-se, parou, o ar ficou contemplativo. Depois daquele sorriso, os dias não foram apenas dias, foram angústias em esperar para vê-lo mais uma vez. Depois daquele sorriso, nenhum outro importa mais.

E então eu cheguei!



De repente nascer era o que eu precisava. Expandir as minhas ideias, conceitos e até mesmo loucuras. Sem medos, sem máscaras.
A coragem me veio na hora exata. Quando um novo ciclo toma forma, todas as coisas podem acompanhá-lo, inclusive uma iniciativa.

E eis-me aqui. Não prometo concordar sempre e, nem ser um contrariador assumido. Eu sou apenas o reflexo de uma opinião, vim ao mundo pra isso.
Eu sou Zeroophilia.