quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Mitologia segregada


Seis letras. Três sílabas. Um nome forte, sagrado. Seu portador porém, é a sintetização daquilo que chamamos pecado: carnal, hedonista e envolvente. Se houvesse personificação de mistério talvez fosse escolhido, embora outros adjetivos lhe caibam bem; canalha, poligâmico, sedutor... Escolha difícil.
Certos desafios te põe à prova de resistência e, esse é um deles. A fusão do bem e do mal dispostos ao seu alcance pode ser funesta. São cheiros, toques, sabores incalculáveis. Todos os sentidos perdidos, inebriados pelo vinho doce quase letal.
Os expressivos olhos escuros, inquietos e um tanto mentirosos, os lábios convidativos de uma boca acostumada a torturar os ouvidos das mocinhas tão vulneráveis aos seus encantos. As linhas do corpo delineadas com maestria beirando a perfeição.
Ele é surreal esculpido como um David de Michelangelo, mas nomeado com a sutileza de R. Sanzio, tem atributos dionisíacos seguindo a filosofia de vida dissoluta. Se perdeu do Olimpo e foi lançado na Terra, sua missão é satirizar corações, espalhar sensações desconhecidas e desaparecer. Um amante mítico, caloroso e imortal.

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