Seria muito mais simples começar pregando a velha filosofia utópica dos discursos aprendidos na faculdade: “O profissional do jornalismo informa para servir”. Na prática será mesmo assim? Sabemos que não. A informação atual virou comércio, barganha, troca de favores e serve apenas aos interesses de uma classe pré determinada. E que classe é essa? Certamente não é a das vítimas de problemáticas sociais.
Nos bancos da universidade se fala da ética, do compromisso com a verdade, do texto impessoal e do pluralismo, mas a realidade mostra antônimos. Poucos são os jornalistas dispostos a se expor em nome de uma causa. Tim Lopes o fez e o que lhe restou foram homenagens e uns 30 minutos do precioso tempo daquele conglomerado persuasivo. Há um trecho do “Livro Sagrado” que relata exatamente a situação dos repórteres ativos: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro”. No jornalismo também é assim. Defender a matéria nossa de cada dia significa acatar imposições vindas de cima e, para não contrariar – e correr o risco de ficar desempregado – o jornalista se sujeita a tais coisas tornando-se uma espécie de “garoto de recados” sem opinião, nem perspectiva.
Essa é a realidade da notícia no Brasil, eis aí os ”filhos da pauta” tupiniquins. O Correio Braziliense trouxe novidades, expectativas e ideias liberais como o de uma monarquia institucional e o fim da escravidão, porém tudo isso veio por terra no momento em que a Coroa Portuguesa passou a pagar mil libras esterlinas anuais à Hipólito da Costa. Ironia ou não, a notícia continuou se vendendo e permanecerá desta forma enquanto o capitalismo imperar no país.
O papel do jornalista passou de colaborador a informante, vulgo fofoqueiro. Não o vemos mais como figura social, parte importante de um todo no cooperativismo. Tornou-se banal e até mesmo desnecessário. O idealismo foi esquecido na ação, é lembrado unicamente como teoria. Encaixa-se nas provas, embora não tenha espaço para encaixar-se na vida.

É jornalismo sério nesse país não é facil de se encontrar, ainda mais agora que retiraram a exigência de nível superior, na minha opinião, mais que um retrocesso, é um verdadeiro obstáculo à informação de qualidade!
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