sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Solidão

Para que olhar o mundo de fora
Se eu o enxergo de dentro
Dentro do meu ego aprisionado pelas lembranças
De quem eu fui um dia
Teu escravo, teu amante, teu pertence raro
A alma libertina que mais te desejou
O veneno perfeito que te matava
E consumia nas insanas noites de inverno
O teu prazer mais cobiçado
O antídoto para curar suas perversões e angústias
Frutos daquele teu objeto de satisfação: eu
Sabia que te era prejudicial, mas você sempre foi persistente
Gostava da inquietude, como um vício
Um vício cujo nome era o meu
Teus olhos percorriam as paredes
Dispersos, curiosos, entristecidos
Não me encontravam em lugar algum
Para onde foi?
Posso estar sufocado dentro da sua alma
Que busca enlouquecida pela minha
Tua boca que meus lábios deseja
O cheiro da minha pele que te consome
Ah! Diga... O quanto sentiu minha falta!
O teu falso sorriso não me engana
E nem alimenta contos criados pela sua mente fértil
Sinto seu sofrimento, longe de quem mais amou
Tuas confissões afirmam minhas contradições
Sorria triste para quem vê e eu de camarote
Contemplo a tua decadência


Texto produzido em 2OO7

Um comentário:

  1. Eu escreveria um texto interminável sobre tuas palavras encaixadas com sabedoria e hipnotismo.

    Perdi as horas quando aportei nessa ilha literária e realmente não quero mais descobrir o caminho de volta.

    Eu respiro esse seu sentimento, eu consigo ver as cores dele através de você.

    Adoro, como sempre.
    Além de palavras e desabafos.

    ResponderExcluir