terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Entre outras coisas trágicas

O ano de 1996 foi histórico, marcado por tragédias. Morte dos integrantes da banda Mamonas Assassinas, do Renato Russo, queda do Fokker 100 da Tam entre outras. Mas a maior catástrofe da minha vida foi entrar para a 5ª série. Naquela época, encerrar o ciclo do ensino básico e ingressar no ginásio significava tornar-se mais adulto, fazer-se visto e ser relevante. Com a idade avançando eu precisava me adequar de qualquer maneira dentro dos padrões conseguindo assim popularidade, amigos descolados e a certeza de não desenvolver um trauma permanente que me transformasse em uma jornalista de blog no futuro, pelo menos achava isso.
Tudo corria bem até a chegada do – bendito - outono e junto dele a febre das jaquetas jeans. O grunge consolidava sua passagem memorável pela trajetória da música e trazia consigo um exército de moderninhos enjaquetados com a logomarca da Hard Rock Cafe estampada nas costas fazendo propaganda de várias cidades importantes no turismo mundial. Foi despertado em mim o desejo intermitente de participar dessa massa consumista e não ser excluída pelos adolescentes estilosos. A peça símbolo da cadeia de restaurantes temáticos converteu-se numa espécie de requisito chave na hora de aceitar o novo membro no grupo de alpinistas sociais.
Se você tivesse uma poderia ser considerado alguém, caso contrário nem sabiam seu nome. Comecei então cogitar a hipótese da Hard Rock Cafe tentar o dominar o mundo ajudada por milhões de soldados uniformizados a caráter. Provavelmente estaríamos diante da batalha do século, uma sociedade dividida entre influenciáveis e rebeldes seguidores do socialismo de Marx, o “Muro de Berlim” humano. Já imaginou se a moda ditasse regras desse tipo ainda hoje? As coleções seriam lançadas a cada cinco anos e os estilistas milionários da máfia têxtil, todas as redes de lanchonetes e derivados entrariam na onda. A Starbucks seria a campeã atual até mesmo entre os que odeiam café. Vou parar porque está na hora da minha terapia. Certos abalos psicológicos não se curam só na base do tempo.

Um comentário:

  1. "A peça símbolo da cadeia de restaurantes temáticos converteu-se numa espécie de requisito chave na hora de aceitar o novo membro no grupo de alpinistas sociais." uma situação realmente dramatica!! e eu, que quando restava no hard rock cafe em buenos aires mal pude tomar minha cerveja - pessoas, melhor nao te-las hahahaha.
    falando sobre moda: e as meias coloridas com sandalias de borracha que eu tive que usar?? ainda tenho remanescentes deste drama no armario...

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