sexta-feira, 12 de março de 2010

Incansável espera


Algumas coisas não mudam com o tempo. O som de uma risada, um perfume amadeirado, uns acordes perdidos num salão vazio onde só o eco pode ser ouvido; nenhuma outra voz, nenhum pedido de desculpas ou confissão de arrependimento. Apenas um lugar bagunçado, sujo e carregado de lembranças boas e ruins. A festa acabou. Sobraram confetes, taças vazias e lágrimas salgadas. Um vestido amarrotado, um sapato caído no canto, uma dama sozinha com maquiagem borrada e penteado desfeito, esperando alguém que não virá. Ela ainda consegue recordar a canção por ele cantada e as repetidas vezes que o viu chorar e esteve lá para abraçá-lo, mas o jovem se foi para sempre e junto dele, os planos e sonhos. Permaneceu sentada, olhando para um espaço desabitado, quieto, tomado pelos resquícios da última valsa antes da partida.
- Ande menina! A festa já acabou!- disse o faxineiro.
- Tudo acabou aqui. - respondeu em tom firme e angustiado.
Levantou-se e caminhou em direção a saída, trancou a porta deixando para trás os sapatos e também seus sonhos, alegrias, medos e lembranças.

Um comentário:

  1. A festa acabou há tempos.
    Mas a música não pára de tocar...
    Procure esses sapatos de cristal pelo salão silencioso e conheça o céu por essas asas que ofereço.

    Nenhuma outra lembrança conseguirá entrar nas paredes do seu coração.

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